Descobri que gostaria de não ser

In: Comportamento

On: 20 June, 2016

Com não ser, digo que não gostaria de me rotular, não me categorizar, e com isso, não se encaixar é o melhor que você pode querer. Não ser uma peça do quebra-cabeça da vida significa que você pensa fora da caixa, que não faz parte de um sistema, que você não é A nem B, não é mais nem menos. Deixe de querer ser, rotulada, etiquetada, rica, pobre, gorda, magra, feia ou bonita para apenas querer ser você.

E foi assim que minha constante guerra com a auto-estima amenizou. Certo dia ouvi de uma pessoa pela qual tenho enorme apreço que a melhor coisa que fez foi deixar de ouvir, deixar de querer fazer parte. Hoje, analiso a graça desse individuo com admiração, alguém que de tão alheio ao que poderia ser criou seu próprio universo, e não me refiro á uma fuga da realidade, mas sim á um mundo que se comunica com a realidade da vida. Por deixar de ser, a circunstâncias e histórias aconteceram com tanta naturalidade que quem ouve pensa ser mentira, ou de tão incrédulas, ou de tão simples. Mas afinal, Mari, o que isso tem a ver com auto-estima?

A batalha contra o espelho (ou a câmera frontal do celular) vai muito mais além de uma roupa bonita, maquiagem e efeitos do instagram. A batalha na verdade não é exatamente contra o espelho, é contra você. Os dias em que você acorda e se sente um lixo acontecem, nada no mundo vai poder impedir que existam dias piores do que os outros, mas o problema é quando 90% dos seus dias são cinza. Percebi que tudo o que me fazia sentir mal vinha de dentro de mim, não era o desejo por uma peça especial ou um batom que iriam me fazer bem, quantas moedas já foram gastas para me satisfazer por minutos e depois tudo voltar ao “normal”. Então, partiu de dentro de mim também saber como parar isso.

Conversando com tantas pessoas queridas e admiradas por mim por se sentirem tão bem consigo mesmas, percebi que o grande vilão  era eu mesma, e a forma como me comparava com tudo e todos. Me sentia tão por baixo e diminuída, como se todos pudessem ter o direito de apontar em mim qualquer defeito ou falha, algo que refletia nas minhas atitudes comigo e com os outros.

A auto-estima baixa não é bobeira, e não é algo que você possa deixar te consumir. E aí retorno ao SER.

Deixei de ser1:
(lat sederevlig 1 Possuir as características ou qualidades indicadas pelos adjetivos que acompanham e determinam o verbo: As figuras eram muito vistosas. 

Deixei esse sentido da palavra de lado em virtude dos meus próprios sentidos. A ideia de me sentir bem vinha das tais qualidades indicadas pelos adjetivos que acompanham, dessa vez não o verbo, mas a sociedade. Parei para apreciar em mim minhas peculiaridades, e parar de querer ser a moça bonita e patrocinada nas redes sociais, para me sentir bem com minha vida de feed desorganizado com manias e defeitos – sim! defeitos! -. A beleza é você quem dita e somente á você mesma, superando e evoluindo seu eu de cada ontem e amanhã, cada dia uma pessoa melhor. E assim aprendi que não existe alguém menos ou mais bonita, além de passar atribuir a beleza á alma e não só á casca.

Para ser²:

Designa, por antonomásia, a existência real e absoluta. (Neste sentido é que, na Sagrada Escritura, Deus diz de si mesmo: Eu sou o que sou.)

“There is nothing noble in being superior to your fellow man; true nobility is being superior to your former self.”

― Ernest Hemingway

Eu sou o que sou.

As deixo com o sorriso de uma das mulheres mais belas do mundo – que se achava feia.

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De menina miserável, magra demais, alta demais e com um nariz grande demais (como assim descreve em sua maravilhosa biografia – leiam!!!!) que deixou de ser¹ para ser², um dos maiores ícones da cultura popular do século 20.

Mariana Escobar

Mariana Escobar

Acha extremamente difícil falar sobre si mesma na terceira pessoa, mas gosta de viajar, dos anos 20 e de desenhar vestidinhos.

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